ANDRÉ CUNHA tem viajado ao longo de alguns anos em busca de uma imagem que represente o humano. Não somente em sua ampla diversidade mas também através da visão mais incomum, uma proposta gráfica onde sua verve estética se aproxima harmonicamente da poética, uma conciliação destinada a poucos, ainda mais àqueles que se aprumam nas primeiras caminhadas.

Seu trabalho, imbuído de tons densos e repleto do chiaroscuro, evidencia uma clara capacidade do indivíduo de transcender suas circunstâncias, alternativas expressas nos rostos de seus modelos, homens, mulheres e crianças, a possibilidade de se adaptar a diferentes modos de vida, bem como o exercício da individualidade. Esta é uma rara opção em um mundo pasteurizado representado em excesso pela fotografia mais contemporânea.

Em seus ensaios fotográficos, ANDRÉ CUNHA demonstra uma crença no espírito humano e a capacidade da humanidade para se elevar acima das sua contradições. Com imagens contundentes, reveladas pela marcante influência da pintura mais histórica, o fotógrafo expressa um trabalho autoral revelador de uma memória estética elaborada, onde a luz explorada habilmente traz a transcendência de seus personagens.

Fotógrafo e personagens são traduzidos em imagens marcantes de maneira dialógica, uma aproximação filosófica que surge tanto de uma relação empírica na obtenção do espectro gráfico por ele utilizado, quanto na execução de sua iluminação precisa, momento em que a composição e o conteúdo se revelam em rara harmonia, cujo resultado é uma atraente imagem fotográfica, carregada de força e vitalidade.

Juan Esteves
Fotógrafo, Crítico e Curador

andrecunhaLEIA MAIS